HPV

O que é HPV?

HPV são as iniciais, em inglês, do Vírus do Papiloma Humano.

É um vírus de transmissão preferencialmente sexual e que tira a paz de milhares de mulheres, de forma desnecessária.  

O HPV é sexualmente transmissível, mas o sexo com penetração não é necessário para a transmissão. A transmissão também pode ocorrer após o contato genital, pele a pele.

A infecção por HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo.

Estudos mostram que 80% das mulheres no mundo entram em contato com algum tipo de HPV em algum momento de suas vidas.

A Organização Mundial de Saúde estima que 630 milhões de pessoas apresentem infecção genital pelo HPV, resultando em uma prevalência mundial de 9 – 13%.

Acredita-se que 6 milhões de pessoas sejam infectadas a cada ano. O risco de adquirir a infecção ao longo da vida é de 50% e ocorre geralmente entre 2 e 10 anos após o início da atividade sexual.

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Mulheres do mundo que entram em contato algum tipo de HPV em algum momento da vida
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Estimativa da OMS para o número de pessoas que apresentam infecção genital pelo HPV
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Risco de se adquirir uma infecção ao longo da vida após 2-10 anos do início da atividade sexual

Não é incomum uma reação de desespero quando se descobre estar infectada pelo vírus HPV.

Seu mundo acaba, o stress emocional e a ansiedade tomam conta de sua vida.

E todos esses medos e angústias são justificados pelo seu desconhecimento sobre essa infecção. Somado a isso, o modo como o profissional da saúde transmite essa informação, pode colaborar para acabar com suas noites de sono. E todas essas emoções ruins são desnecessárias, porque o maior problema do HPV é a desinformação.

Toda essa desinformação decorre do fato de que a associação entre o câncer de colo do útero e HPV ser muito recente.

Foi somente no final dos anos 70, que as pesquisas realizadas por Harald zur Hausen, caracterizaram o HPV como elemento essencial no desenvolvimento dessa doença. E muitos anos se passaram para que Hausen fosse homenageado por sua descoberta, sendo o vencedor do prêmio Nobel de Medicina apenas em 2009.

Nos primeiros anos após essa descoberta, os ginecologistas utilizavam tratamentos mais agressivos a fim de obter a eliminação do vírus. Os próprios médicos acreditavam que um elevado número de mulheres infectadas pelo HPV acabariam por desenvolver o câncer de colo do útero. Por isso, era necessário destruir toda e qualquer lesão causada por esse “inimigo mortal”.

Estudos não demoraram a perceber que os médicos estavam errados. Eles estavam agredindo suas pacientes mais do que o próprio vírus! 

A verdade é que apenas um número muito pequeno de mulheres infectadas pelo HPV irão desenvolver lesões. 

Aproximadamente 80% das mulheres infectadas irá eliminar o vírus de forma espontânea, sem qualquer medicamento, pomada ginecológica, vitaminas ou chás! 

Portanto, calma! O HPV não é esse monstro que você imagina.

O que é HPV de alto risco?

Os tipos de HPV podem ser divididos em dois grupos de acordo com o seu potencial de desenvolver o câncer (potencial de alterar as células e causar o câncer): de baixo risco e de alto risco oncogênico.

Na atualidade, já foram descobertos mais de 140 subtipos de HPV, sendo que apenas uns 14 tipos foram relacionados ao maior risco de promover o câncer no colo do útero. Esses foram denominados de HPV DE ALTO RISCO, e caracterizados numericamente como 16, 18, 31, 33, 35, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66 e 68.

Os subtipos 16 e 18 predominam em todo o mundo e são os responsáveis por aproximadamente 70% dos cânceres do colo do útero.

Os demais subtipos muitas vezes são denominados de subtipo NÃO 16 e/ou 18.

Os HPV de alto risco estão fortemente relacionados ao desenvolvimento do câncer de colo do útero.

Parecem ser os mais prevalentes e comum na população.

Por outro lado, é comum que causem apenas infecções transitórias ou mesmo múltiplas infecções durante a vida da mulher que irão desaparecer de forma espontânea, sem qualquer medicação.

Estima-se que menos de 5% das mulheres infectadas pelo HPV de alto risco poderão evoluir para doenças pré-malignas e malignas no colo do útero, na vagina ou na vulva. Ou seja, um pequena porcentagem de mulheres infectadas poderão desenvolver lesões pré-cancerígenas, as quais são facilmente tratadas. 

O HPV de baixo risco oncogênico não consegue se integrar ao DNA da célula infectada. Este tipo de HPV não causa a degradação ou inativação das mesmas. Não causa o câncer. Ele pode causar pequenas alterações celulares no colo, que desaparecerão espontaneamente.

Na maioria das vezes, o HPV de baixo risco irá causar lesões benignas e autolimitadas, conhecidas como condilomas (verrugas genitais).

Os condilomas, em 90% dos casos, estão relacionados com os HPV tipo 6 e 11.

HPV: Como “peguei” esse vírus?

A transmissão sexual do HPV foi muito bem caracterizada durante a guerra na Coréia, quando inúmeros soldados americanos voltaram contaminados pelo vírus após terem mantido relacionamentos com mulheres daquele país.

No entanto, estudos detectaram HPV em virgens, lactentes e crianças que nunca sofreram abuso sexual, demonstrando que esse vírus pode também ser transmitido por outras rotas não sexuais. 

O HPV é um organismo altamente infectante. É possível infectar-se com uma única exposição.

A rota de transmissão mais comum é através do contato do pênis com a vagina.

O sexo anal também apresenta elevado risco de transmissão deste vírus.

Mas a transmissão pode ocorrer mesmo sem que tenha ocorrido penetração.

O simples contato com a pele ou mucosa infectados é suficiente para se contaminar com o vírus. Com esse conhecimento, concluímos que camisinha não protege 100% contra o HPV. 

Como muitas pessoas portadoras do HPV não apresentam nenhum sinal ou sintoma, elas não sabem que têm o vírus, mas podem transmiti-lo. Portanto, não se culpe ou se torture por ter adquirido essa infecção.

Sabe-se que a verruga genital é altamente contagiosa, porém as lesões subclínicas, aquelas que são detectadas apenas pelo exame de Papanicolau e pela Colposcopia, têm menor poder de transmissão, entretanto esta particularidade ainda continua sendo muito estudada.

O risco de transmissão através do contato com uma mão contaminada com a área genital é baixo, mas existe! O risco de transmissão orogenital também é baixo.

Mulheres que fazem sexo com mulheres também apresentam o risco de adquirir HPV. Seja através do contato de mucosa da vulva com outra vulva, do contato com mão contaminada, através do sexo oral ou através do compartilhamento de brinquedos sexuais.

Desta forma, mulheres que fazem sexo com mulheres devem realizar seu exame de Papanicolau da mesma forma que mulheres que fazem sexo com homens.

O HPV não sobrevive por longo tempo em objetos, sendo sua transmissão muito improvável com o uso de toalhas e sanitários.

Há vários casos de crianças ou adolescentes que foram contaminados no momento do parto e desenvolveram verrucosas nas cordas vocais e laringe, doença conhecida como Papilomatose Respiratória Recorrente. Muitas vezes sendo necessários inúmeros tratamentos deste quadro clínico. Os papilomas laríngeos parecem não oferecer nenhum risco de progressão para malignidade.

Apesar disto, estudos sugerem que o risco de transmissão é relativamente baixo. Estudos mostraram resultados com grandes variações em relação as taxas de detecção de HPV nos recém-nascidos cujas mães apresentavam infecção por HPV durante a gravidez.

Apesar disto, as taxas de detecção deste vírus 6 semanas após o parto, não mostraram diferença entre nascidos de mães HPV-positivas e HPV-negativas. 

Estou infectada pelo HPV! E agora?

De forma geral, após exposição ao HPV, o organismo pode reagir de três maneiras:

Segundo o Ministério da saúde, o risco de transmissão das lesões verrucosas é de 65% e  risco de transmissão das lesões subclínicas é de 25%.

Como nas infecções latentes não há expressão viral, estas infecções não são transmissíveis.

Porém, a maioria das infecções é transitória.

Na maioria das vezes, o sistema imune consegue combater de maneira eficiente esta infecção alcançando a cura, com eliminação completa do vírus, principalmente entre as pessoas mais jovens.

HPV: Quando eu me contaminei?

O intervalo de tempo entre a contaminação e o aparecimento de lesões verrucosas na vulva ou de lesões subclínicas no colo do útero é sempre uma incógnita. 

Segundo o Ministério da Saúde, o período necessário para surgirem as primeiras manifestações da infecção pelo HPV é de aproximadamente 2 a 8 meses, mas pode demorar até 20 anos.

Assim, é praticamente impossível determinar em que época e de que forma um indivíduo foi infectado pelo HPV.

Quais os sinais e sintomas ginecológicos do HPV?

A infecção pelo HPV pode se apresentar de três formas:

caracterizada pela presença de lesões verrucosas que podem ser observadas a olho nu tanto pelo médico, como pelo próprio paciente.

São as verrugas genitais ou condilomas, também chamadas popularmente de “crista-de-galo”.

Essas verrugas podem ter tamanhos variáveis, podem ser únicas ou múltiplas, podem se localizar numa determinada região ou podem ficar dispersas por toda a vulva e região perianal.

Esse tipo lesão geralmente está relacionado com o HPV 6 e HPV 11.

Elas não causam câncer.

São mais frequentes que as verrugas.

São aquelas detectadas através do exame de Papanicolau e observadas apenas através das lentes de um colposcópio.

Essas lesões geralmente são causadas por um HPV de alto risco que ao infectar células poderão promover lesões pré-cancerígenas (NIC2 e NIC3).

As lesões pré-cancerígenas quando não tratadas adequadamente irão se transformar em câncer. Mas esse processo leva anos para ocorrer, por isso a importância da realização rotineira dos exames de prevenção do câncer de colo do útero.

O câncer de colo do útero INICIALMENTE NÃO CAUSA SINTOMAS.

Somente quando o câncer está em fases mais avançadas irá promover corrimento de odor fétido, sangramento e dores. É esse o motivo que torna o exame de Papanicolau fundamental na prevenção do câncer de colo, pois ele irá rastrear as lesões pré-cancerígenas, as quais têm cura se tratadas adequadamente.

Desta forma, encontrar uma lesão de alto grau no preventivo, seja um NIC2 ou NIC3, não é um problema, é SOLUÇÃO.

Essa forma é aquela detectada apenas pelos exames de CAPTURA HÍBRIDA PARA HPV ou pelo PCR para HPV AR com GENOTIPAGEM.

Através desses exames detectamos a presença do vírus do HPV.

Diferentemente dos exames de Papanicolau e da Colposcopia, que detectam as lesões subclínicas, esses exames evidenciam apenas que a paciente apresenta o vírus do HPV em seu organismo.

O fato de uma paciente ter o vírus, não significa que ela tem (ou terá) lesão por esse vírus.

Uma pessoa pode ter o vírus e não apresentar qualquer lesão clínica ou subclínica. Assim, diante de uma paciente que apresente um teste de HPV positivo para os tipos 16 e 18, o encaminhamento para colposcopia se faz necessário, mesmo que o preventivo esteja normal.

A colposcopia irá então avaliar a presença (ou não) de lesões pré-cancerígenas no colo do útero.

Tratamento do HPV

O tratamento tem por objetivo reduzir ou eliminar as LESÕES causadas pela infecção.

Atualmente existem várias opções de tratamento para as lesões causadas pelo HPV. 

As formas de tratamento mais utilizadas são a aplicação de ácido tricloroacético 50 a 90%, aplicação de podofilotoxina, a utilização de Imiquimode (um imunomodular), crioterapia, laserterapia, laser de CO2, laser de Diodo e retirada da lesão por cirurgia de alta frequência ou bisturi frio.

A forma de tratamento dependerá de vários fatores como idade da paciente, o tipo, a extensão e a localização da lesão (ou lesões).

A forma de tratamento também dependerá muito da experiência do profissional, que deverá ter conhecimento suficiente para não agredir sua paciente mais do que o próprio vírus.

Prevenção

Antes de começar a escrever sobre prevenção, quero esclarecer que a prevenção contra uma infecção pelo HPV é muito difícil, pois nenhuma dessas medidas é 100% eficaz.

Mas não temos que ter medo do vírus!!!

Temos que estar sempre preocupadas com as lesões causadas por essa infecção, pois essas lesões ,sim, têm cura!

Portanto, nunca deixe de fazer rotineiramente seus exames no ginecologista.

As formas de prevenção, para reduzir o risco de uma infecção pelo HPV são:

1 – Estar em relacionamento sexual mutuamente monogâmico.

2 – Reduzir seu número de parceiros sexuais.

3 – Usar preservativo de látex, o que não tem 100% de eficácia, pois o vírus pode estar presente em áreas infectadas não protegidas pelo preservativo.

4 –Vacinas contra o HPV.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recomenda a vacinação de rotina contra o HPV para meninas e meninos de 11 e 12 anos, embora possa ser administrada desde os 9 anos de idade.

É ideal que meninos e meninas recebam a vacina antes de terem contato sexual e exposição ao HPV.

A vacina também é recomendada para mulheres de 13 a 26 anos e homens de 13 a 21 anos que não tenham sido vacinados de forma adquada anteriormente.

O CDC também recomenda vacinação até os 26 anos para gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e pessoas imunocomprometidas (incluindo aquelas com infecção pelo HIV) que não foram adequadamente vacinadas anteriormente.

Idealmente, os adolescentes devem ser vacinados antes de serem expostos ao HPV.

No entanto, as pessoas que já foram infectadas com um ou mais tipos de HPV ainda podem obter proteção contra outros tipos de HPV na vacina.

Sobre o author

Dra. Flávia Menezes

Dra. Flávia Menezes é Médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1996 e especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Patologias do Trato Genital Inferior (Colposcopia, Vaginoscopia e Vulvoscopia).