O que é vulvoscopia? Como é feita e para que serve

26/09/2025
o que é vulvoscopia

Coceira persistente, ardência, dor, manchas, mudanças na pele ou pequenas feridas na região íntima podem ter diferentes causas.

Quando esses sintomas aparecem ou quando o médico observa alguma alteração na vulva, uma avaliação mais detalhada pode ser necessária.

É nesse contexto que entra a vulvoscopia.

A vulvoscopia permite examinar cuidadosamente a parte externa da genitália feminina e identificar características que podem ajudar o médico a entender melhor o que está acontecendo.

Antes de tudo: qual é a diferença entre vulva e vagina?

Essa dúvida é muito comum.

A vulva corresponde à parte externa da genitália feminina e inclui estruturas como os grandes e pequenos lábios, o clitóris e a região ao redor da entrada da vagina.

A vagina, por sua vez, é o canal interno.

Portanto, quando falamos em vulvoscopia, estamos falando principalmente da avaliação da vulva.

O que é vulvoscopia?

A vulvoscopia é uma avaliação detalhada da vulva.

O exame começa pela observação cuidadosa de toda a região. Quando necessário, o médico pode utilizar um colposcópio ou outro recurso de magnificação para observar determinadas áreas com maior aumento e iluminação.

O colposcópio é o mesmo aparelho utilizado durante a colposcopia do colo do útero, mas permanece do lado de fora do corpo e não toca na paciente.

A ampliação permite analisar com mais detalhes características como:

  • cor e textura da pele;
  • localização e extensão de uma alteração;
  • áreas de espessamento ou afinamento da pele;
  • manchas;
  • pequenas fissuras ou feridas;
  • alterações de pigmentação;
  • verrugas ou outras lesões visíveis.

Essas informações, associadas à história clínica da paciente, ajudam a direcionar a investigação.

Para que serve a vulvoscopia?

A vulvoscopia pode fazer parte da investigação de mulheres que apresentam sintomas persistentes ou alguma alteração observada na vulva.

Entre as situações que podem levar a essa avaliação estão:

  • coceira que não melhora;
  • ardência;
  • dor ou desconforto vulvar;
  • alterações na cor ou na textura da pele;
  • manchas;
  • fissuras;
  • feridas que persistem;
  • verrugas;
  • alterações observadas durante um exame ginecológico.

Existem diversas doenças que podem provocar alterações na vulva, desde condições dermatológicas e inflamatórias até infecções e lesões que precisam de investigação mais cuidadosa.

Por isso, alterações vulvares persistentes não devem ser avaliadas apenas pela aparência ou pelos sintomas.

Em outro artigo explico com mais detalhes quais doenças podem ser investigadas pela vulvoscopia.

A vulvoscopia faz o diagnóstico sozinha?

Nem sempre.

Esse é um ponto importante.

A vulvoscopia fornece informações valiosas sobre a aparência e a localização de uma alteração, mas algumas doenças podem apresentar aspectos semelhantes.

Por isso, o diagnóstico pode depender da combinação de:

história clínica + exame da vulva + experiência do médico + exames complementares, quando necessários.

Em determinadas situações, pode ser indicada uma biópsia da vulva.

Na biópsia, um pequeno fragmento da área alterada é retirado e enviado para análise no laboratório.

Portanto: vulvoscopia não significa necessariamente biópsia.

A biópsia é realizada somente quando existe indicação clínica.

O aparelho é importante, mas o olhar médico é fundamental

A magnificação é uma ferramenta útil, mas o aparelho sozinho não faz o diagnóstico.

A vulva pode apresentar doenças dermatológicas, inflamatórias, infecciosas e alterações pré-cancerígenas com manifestações muito diferentes — e, algumas vezes, bastante sutis.

Por isso, além de examinar a região com atenção, o profissional precisa reconhecer os diferentes padrões que podem aparecer na pele e na mucosa vulvar.

Essa experiência também é importante para decidir:

  • quando apenas acompanhar;
  • quando investigar outras causas;
  • quando solicitar exames complementares;
  • e quando uma biópsia pode ser necessária.

A avaliação moderna da vulva valoriza justamente esse conjunto: inspeção cuidadosa, reconhecimento dos padrões clínicos, magnificação quando necessária e correlação com a história da paciente.

Como é feita a vulvoscopia?

O exame é realizado em consultório, com a paciente posicionada na mesa ginecológica.

Primeiro, toda a região vulvar é observada cuidadosamente.

Depois, quando necessário, utilizo o colposcópio para ampliar determinadas áreas e avaliar melhor características que poderiam passar despercebidas em uma inspeção menos detalhada.

O aparelho permanece afastado do corpo.

Durante o exame, também podem ser observadas outras áreas próximas, dependendo do motivo da investigação.

A duração pode variar conforme o que precisa ser avaliado, mas, em geral, é um exame relativamente rápido.

Durante todo o procedimento, procuro explicar o que está sendo observado e o que está sendo feito, para que a paciente se sinta informada e tranquila.

Vulvoscopia dói?

A simples observação da vulva e o uso do colposcópio normalmente não provocam dor.

Entretanto, algumas mulheres chegam ao consultório com a região muito sensível, inflamada, fissurada ou dolorosa. Nesses casos, a manipulação necessária durante o exame pode causar algum desconforto.

Se houver indicação de realizar uma biópsia, trata-se de um procedimento adicional e geralmente é utilizada anestesia local.

Ou seja, é importante diferenciar: vulvoscopia é o exame da vulva; biópsia é a retirada de um pequeno fragmento quando existe indicação.

Preciso me preparar para fazer a vulvoscopia?

Na maioria das vezes, não é necessário nenhum preparo complexo.

Entretanto, dependendo do motivo do exame, pode ser interessante evitar aplicar cremes, pomadas ou outros produtos na vulva imediatamente antes da avaliação, pois eles podem modificar temporariamente a aparência da pele.

Caso esteja usando algum medicamento prescrito para a região íntima, não interrompa o tratamento por conta própria. Pergunte ao médico que solicitou ou realizará o exame se existe alguma orientação específica.

Por que observar a vulva com atenção é tão importante?

A vulva também pode apresentar doenças que precisam de diagnóstico e acompanhamento.

Coceira persistente, dor, manchas ou feridas recorrentes não devem ser simplesmente consideradas “uma candidíase que sempre volta” sem uma avaliação adequada.

Além disso, algumas alterações importantes podem ser pequenas ou provocar poucos sintomas no início.

Por esse motivo, sociedades médicas internacionais vêm reforçando a importância da inspeção cuidadosa da vulva durante a avaliação ginecológica e da investigação apropriada sempre que alguma alteração persistente é identificada.

Quando procurar avaliação médica?

Procure seu ginecologista ou um profissional com experiência em doenças da vulva se perceber uma alteração que persiste, especialmente:

  • coceira recorrente ou persistente;
  • ardência;
  • dor vulvar;
  • mudança na cor ou textura da pele;
  • manchas que surgiram recentemente ou estão mudando;
  • fissuras;
  • verrugas;
  • feridas que não cicatrizam;
  • sangramento em alguma área da vulva.

Esses sinais não significam necessariamente uma doença grave.

Existem muitas causas possíveis.

O objetivo da avaliação é justamente identificar o que está provocando a alteração e definir, quando necessário, a melhor forma de investigação ou tratamento.

Seu médico indicou uma vulvoscopia?

Se durante a sua avaliação ginecológica o seu médico assistente identificou alguma alteração na vulva ou indicou uma vulvoscopia para uma investigação mais detalhada, você pode realizar o exame comigo no Rio de Janeiro.

No consultório, cada detalhe da região vulvar é examinado com atenção, rigor técnico e calma, procurando correlacionar os achados do exame com o motivo do encaminhamento e, quando necessário, definir se alguma investigação complementar deve ser considerada.

Para realizar o exame comigo, é necessário trazer o encaminhamento médico.

O agendamento pode ser feito diretamente pelo WhatsApp do consultório.


Dra. Flávia Menezes

Ginecologista e Colposcopista

CRM RJ: 52.62429-2 | RQE: 51496

Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC, 2009)

Mais de 30 anos de prática médica dedicada à saúde da mulher (formada pela UFRJ em 1996) e mais de 15 anos de consultório dedicado exclusivamente à colposcopia.

Fontes científicas consultadas

  1. Day T, Scurry J, Parra-Herran C, et al. 2026 International Society for the Study of Vulvovaginal Disease terminology for vulvar intraepithelial neoplasia and squamous intraepithelial lesions. American Journal of Obstetrics and Gynecology. 2026.
  2. ESGO, ISSVD, ECSVD e EFC. Consensus statements on vulvar inspection and pre-invasive vulvar lesions. Recomendações internacionais sobre inspeção sistemática da vulva, diagnóstico e indicação de biópsia.
  3. ESGO, ISSVD, ECSVD, EFC. Consensus Statements on Pre-invasive Vulvar Lesions. International Journal of Gynecological Cancer. 2022.
  4. Kesić V, et al. Early Diagnostics of Vulvar Intraepithelial Neoplasia. Revisão sobre avaliação clínica, magnificação e papel da biópsia nas alterações vulvares.
  5. International Society for the Study of Vulvovaginal Disease — ISSVD. Clinical resources and recommendations for vulvar and vulvovaginal disease.
  6. Val I, Aidé S, Furtado Y. Doenças da Vulva — Atlas, Diagnóstico e Tratamento. Thieme Revinter, 2022.
Dra. Flávia Menezes - CRM: 5262429-2 / RQE:51496

Dra. Flávia Menezes
CRM: 5262429-2 / RQE:51496

Médica Ginecologista e Colposcopista.

Especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (PTGI).

Mais de 20.000 exames de colposcopia realizados.

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Sobre mim

Médica formada pela UFRJ com mais de 20 mil exames de colposcopia realizados. Formada em ginecologia e especialista em HPV.

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