
“Colposcopia com biópsia dói?”
Essa é uma das dúvidas mais comuns de quem recebe a indicação do exame — e também uma das principais causas de ansiedade antes da colposcopia.
A resposta mais correta é: a colposcopia costuma ser bem tolerada e a biópsia do colo do útero geralmente provoca apenas um desconforto rápido, mas a percepção de dor varia de mulher para mulher.
Algumas pacientes praticamente não sentem a coleta. Outras percebem uma pequena picada, um beliscão ou uma cólica passageira. E existem mulheres que podem sentir mais desconforto.
Por isso, em vez de dizer que a biópsia “não dói”, considero mais importante explicar exatamente o que acontece em cada etapa do exame e o que você pode sentir.
Na maior parte das vezes, a colposcopia propriamente dita não é dolorosa, embora possa causar algum desconforto.
O exame é parecido com uma avaliação ginecológica habitual.
Primeiro, é colocado delicadamente um espéculo na vagina para permitir a visualização do colo do útero.
O colposcópio — aparelho que amplia a imagem e permite observar detalhes do colo — permanece do lado de fora do corpo. Ele não é introduzido na vagina.
Durante essa etapa, você pode sentir principalmente:
São aplicadas substâncias como o ácido acético e, quando indicado, o lugol, que ajudam a destacar áreas que precisam ser examinadas com maior atenção.
A aplicação dessas soluções pode provocar uma ardência ou sensação de picada leve e passageira.
Se durante a colposcopia for identificada uma área que precisa ser investigada, poderá ser necessária uma biópsia dirigida.
Nesse procedimento, uma pequena amostra de tecido é retirada exatamente da região considerada suspeita e encaminhada para análise pelo patologista.
A sensação varia bastante entre as mulheres.
Você pode sentir:
Quando existe dor, ela costuma ocorrer principalmente no momento da retirada do fragmento e durar poucos segundos.
Depois da biópsia, algumas mulheres ainda apresentam cólica leve por algumas horas.
É importante, porém, não transformar isso em uma promessa de ausência de dor: há mulheres mais sensíveis ao procedimento, e essa experiência deve ser respeitada.
Não existe uma única explicação.
A percepção da dor é individual e pode ser influenciada por diferentes fatores.
Entre eles estão:
Portanto, duas mulheres submetidas aparentemente ao mesmo exame podem descrevê-lo de maneiras completamente diferentes.
E nenhuma dessas experiências deve ser invalidada.
Isso depende do que é encontrado durante a colposcopia.
A biópsia não deve ser realizada apenas com o objetivo de retirar “o menor fragmento possível”. O mais importante é obter material adequado das áreas que realmente precisam ser investigadas, sem intervenções desnecessárias.
Quando existem diferentes áreas suspeitas no colo do útero, pode ser necessário colher mais de uma amostra.
Diretrizes internacionais de colposcopia ressaltam que, quando há indicação, a realização de biópsias dirigidas das diferentes áreas alteradas aumenta a capacidade de detectar lesões importantes.
Portanto, a prioridade deve ser sempre equilibrar dois objetivos:
realizar um diagnóstico confiável e, ao mesmo tempo, tornar o procedimento o mais confortável possível.
Na biópsia cervical diagnóstica convencional, a anestesia não é obrigatoriamente necessária para todas as mulheres.
Entretanto, atualmente sabemos que não existe uma única estratégia de controle da dor que seja ideal para todas as pacientes.
Estudos avaliaram diferentes formas de reduzir o desconforto, incluindo anestésicos locais aplicados sobre o colo ou por injeção.
Algumas dessas técnicas podem diminuir a dor da biópsia em determinadas mulheres. Por outro lado, a própria injeção de anestésico também pode causar desconforto.
Por isso, a decisão deve considerar o procedimento que será realizado, a sensibilidade da paciente, experiências anteriores e a avaliação médica.
Essa abordagem individualizada está de acordo com recomendações mais recentes sobre controle da dor em procedimentos ginecológicos realizados no consultório.
Esse é um ponto muito importante.
Uma biópsia dirigida durante a colposcopia é um procedimento diagnóstico: retiramos pequenas amostras para descobrir, ao microscópio, qual alteração está presente.
Já procedimentos como a Cirurgia de Alta Frequência (CAF) ou a conização removem uma quantidade maior de tecido do colo uterino e possuem objetivos e indicações diferentes.
Eles podem ser utilizados, por exemplo, no tratamento ou na investigação de determinadas lesões de alto grau.
Por serem procedimentos mais extensos, necessitam de planejamento específico para controle da dor e anestesia.
Portanto, fazer uma pequena biópsia durante a colposcopia não é a mesma coisa que realizar uma CAF ou uma conização.
Em determinadas situações, além das biópsias da parte externa do colo, pode ser indicada a coleta de material do canal endocervical.
Esse procedimento é diferente da biópsia cervical convencional e pode produzir uma sensação de cólica mais perceptível em algumas mulheres.
A necessidade dessa coleta depende dos resultados anteriores, da idade, do tipo de alteração encontrada e principalmente de quanto da região de interesse consegue ser visualizado durante a colposcopia.
Nem toda paciente precisa realizá-la.
Depois de uma pequena biópsia cervical, você pode apresentar:
Essas alterações geralmente são passageiras.
A colposcopia com biópsia é normalmente realizada em consultório e, depois do exame, a paciente pode ir para casa.
As orientações posteriores dependem do número e do local das biópsias realizadas e devem ser explicadas pelo médico ao término do procedimento.
Sangramento intenso, febre, dor forte ou secreção com odor desagradável não são sintomas esperados e precisam de avaliação médica.
Não.
É natural ficar apreensiva antes de um exame desconhecido, mas a maioria das mulheres consegue realizar a colposcopia e, quando necessária, a biópsia cervical sem grandes dificuldades.
Ao mesmo tempo, também não considero correto dizer simplesmente que “não dói”.
Cada mulher percebe o procedimento de uma maneira.
Uma boa experiência começa com informação: saber o que será feito, entender por que uma biópsia pode ser necessária e poder comunicar qualquer desconforto durante o exame costuma tornar todo o processo mais tranquilo.
Mais importante do que prometer ausência absoluta de dor é realizar uma colposcopia cuidadosa, com indicação adequada das biópsias e respeito aos limites de cada paciente.
Se durante a sua rotina ginecológica o seu médico assistente identificou alterações no preventivo, no teste de HPV ou solicitou a colposcopia para investigar o colo uterino, convido você a agendar seu exame de colposcopia comigo, trazendo o seu encaminhamento médico.
No consultório, cada detalhe visual é examinado com rigor técnico, calma e acolhimento. Entender o que está acontecendo com clareza ajuda a diminuir a ansiedade e permite definir os próximos passos com segurança.
Ginecologista e Colposcopista
CRM RJ: 52.62429-2 | RQE: 51496
Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC, 2009)
Mais de 30 anos de prática médica dedicada à saúde da mulher (formada pela UFRJ em 1996) e mais de 15 anos de consultório dedicado exclusivamente à colposcopia.
Consultório: Av. Rio Branco, 156 / Sala 2805 – Centro do Rio de Janeiro (ao lado do Metrô Carioca)
WhatsApp para agendamentos: (21) 96778-8617