
O próprio corpo costuma eliminar o vírus em até dois anos, e as lesões que ele pode causar, quando diagnosticadas e acompanhadas a tempo, podem desaparecer espontaneamente, logo podemos afirmar que as lesões causadas por HPV têm cura.
A confusão existe porque a resposta depende do que estamos chamando de "cura" — e é justamente isso que vou esclarecer para você agora, de forma simples e sem alarmismo.
Antes de tudo, é preciso entender uma diferença que muda toda a resposta, não é a mesma coisa ter uma infecção por HPV e ter uma lesão por HPV.
A infecção por HPV significa apenas que o vírus está presente no seu corpo, mas ele pode não estar causando nenhuma lesão. Ou seja, ter o vírus não significa, necessariamente, ter uma doença.
Por outro lado, se você tem uma lesão por HPV, então também tem a infecção. Uma coisa acompanha a outra.
Após uma infecção pelo HPV existem 3 possibilidades:
Para vocês entenderem melhor, irei falar do modelo da história natural do HPV e do câncer do colo do útero.
O HPV é adquirido através da relação sexual, mas a maioria das mulheres conseguem eliminar esse vírus em aproximadamente 2 anos.
Estudos mostram que quase 60% das mulheres com teste para HPV positivos irão desenvolver anticorpos séricos contra esse vírus.
E se um preventivo for realizado durante o pico viral, este poderá ter um resultado alterado, evidenciando atipias celulares leves, que são as neoplasias intraepiteliais de baixo grau (LSIL), também chamadas de NIC 1.
Uma minoria das infecções por HPV irá persistir e os indivíduos com a persistência do HPV de alto risco correm um risco substancial de desenvolver lesões de alto grau (HSIL), também chamadas de NIC 2 ou NIC 3 (na dependência da gravidade das alterações celulares causadas).
As lesões NIC 3 são alvos dos programas de rastreamento do câncer de colo do útero, porque mais de um terço delas progredirá para o câncer cervical invasivo dentro de 10 a 20 anos, se não houver tratamento ou não forem diagnosticadas.
Desta forma, infelizmente não posso afirmar que uma infecção para o vírus HPV tem cura.
Mas posso afirmar, com toda certeza, que lesões de alto grau, quando tratadas e acompanhadas adequadamente tem cura.
O câncer de colo do útero é uma doença muito lenta. São necessários muitos anos para que essa doença progrida.
Mulheres que fazem seus exames preventivos periodicamente de acordo com as recomendações de seu ginecologista, não terão câncer.
Poderão sim, detectar uma infecção ou doença por HPV, que quando acompanhadas e ou tratadas adequadamente impedirão o desenvolvimento para um câncer.
A única coisa que devemos evitar é que um tratamento não agrida mais que o próprio vírus.
Entre os mais de 200 tipos de HPV, o 16 e o 18 são chamados de alto risco e são os mais associados ao câncer do colo do útero. Receber um resultado positivo para eles costuma assustar, mas é importante colocar isso em perspectiva.
Mesmo sendo HPV de alto risco, na maioria das mulheres o organismo também consegue eliminar o 16 e o 18 ao longo do tempo. Ter um desses tipos não significa que você tem ou terá câncer.
Aqui vale a mesma distinção de antes:
O que faz a diferença não é o número do vírus, e sim o acompanhamento. Uma mulher que mantém seus exames em dia consegue identificar e tratar qualquer alteração muito antes de ela se tornar um problema grave. É por isso que, mesmo com HPV de alto risco, o desfecho costuma ser tranquilo quando existe acompanhamento adequado.
Na maioria das vezes, o organismo elimina o HPV sozinho em um período de 1 a 2 anos após a infecção. Estudos mostram que quase 60% das mulheres com teste positivo para HPV desenvolvem anticorpos contra o vírus.
Esse tempo, porém, varia de pessoa para pessoa, porque depende principalmente da sua imunidade. Alguns fatores podem dificultar ou atrasar essa eliminação, como:
Existe ainda uma situação chamada latência: o vírus permanece no corpo em quantidade tão pequena que nem os exames conseguem detectar. Ele fica "dormindo" e, em alguns casos, pode reativar mais tarde. Por isso, mesmo depois de um resultado negativo, o acompanhamento periódico continua sendo a forma mais segura de cuidar da sua saúde.
A doença causada pelo HPV, as lesões, tem cura quando tratada e acompanhada corretamente. Já a infecção pelo vírus costuma ser eliminada pelo próprio organismo, mas em alguns casos ele pode ficar latente. Por isso falamos em controle e acompanhamento, mais do que em "cura definitiva" do vírus.
Não. A grande maioria das mulheres com HPV nunca desenvolverá câncer. O câncer de colo do útero é uma doença lenta, que leva muitos anos para se formar e que é quase sempre evitável com exames preventivos em dia.
Quem elimina o vírus é o seu sistema imunológico. Não existe remédio ou fórmula que "mate" o HPV; o que ajuda é manter a imunidade saudável (não fumar, dormir bem, alimentação equilibrada) e fazer o acompanhamento médico.
Não. A vacina é preventiva: ela protege contra novos tipos do vírus, mas não elimina uma infecção já existente nem trata lesões. Ainda assim, pode ser indicada mesmo para quem já teve HPV, para proteger contra os outros tipos.
Um teste negativo é um ótimo sinal e, na maioria dos casos, indica que o vírus foi eliminado. Como existe a possibilidade de latência, o ideal é manter os exames de rotina conforme a orientação do seu ginecologista.
Pode, em duas situações: a reativação de um vírus que estava latente ou uma nova infecção por outro tipo de HPV. Isso não significa falha no tratamento, reforça apenas a importância do acompanhamento contínuo.