
Receber a indicação de uma colposcopia pode gerar preocupação, principalmente quando ela acontece depois de um teste de HPV positivo ou de uma alteração no Papanicolau.
Mas é importante entender uma coisa desde o início: a colposcopia é um exame de investigação. Sua indicação não significa, por si só, que exista uma lesão grave ou câncer.
Atualmente, a decisão de realizar a colposcopia pode considerar diferentes informações, como o resultado do teste para HPV, o tipo de HPV identificado, alterações no Papanicolau, exames anteriores, achados no exame ginecológico e o histórico de cada mulher.
Por isso, nem sempre duas pacientes com resultados aparentemente semelhantes receberão exatamente a mesma orientação.
A colposcopia é realizada quando existe necessidade de examinar o colo do útero com mais detalhes.
Entre as situações que podem levar à indicação estão:
A necessidade do exame, portanto, não depende apenas de um resultado isolado.
Nem sempre.
Essa é uma das informações mais importantes para quem recebe um teste de HPV positivo.
Existem diferentes tipos de HPV de alto risco, e eles não apresentam todos o mesmo risco. Além disso, a decisão de realizar uma colposcopia pode considerar a citologia, exames anteriores e outros aspectos da história da paciente.
Com a implantação do teste de DNA-HPV como método primário de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil, saber qual tipo de HPV foi identificado tornou-se ainda mais importante para definir os próximos passos.
Os tipos HPV 16 e HPV 18 apresentam maior associação com lesões precursoras e câncer do colo do útero.
Nas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero de 2025, a detecção de HPV 16 e/ou 18 é indicação de encaminhamento para colposcopia.
Isso não significa que a mulher tenha uma lesão ou câncer. Significa que esses tipos de HPV apresentam risco suficiente para justificar uma avaliação mais detalhada do colo do útero.
Aqui existe uma diferença importante.
Nas Diretrizes Brasileiras de 2025, quando são detectados tipos de HPV de alto risco diferentes do 16 e 18, é recomendada uma citologia reflexa, preferencialmente realizada a partir da mesma amostra coletada para o teste de HPV.
Se a citologia apresentar determinadas alterações, a colposcopia é indicada. Quando a citologia é negativa, a diretriz estabelece acompanhamento com repetição do teste de HPV.
Isso significa que ter HPV de alto risco diferente do 16 e 18 não leva automaticamente à colposcopia dentro desse protocolo de rastreamento.
Não necessariamente.
É importante fazer uma distinção para não transformar uma diretriz de rastreamento em uma regra rígida para todas as situações clínicas.
As Diretrizes Brasileiras de 2025 foram desenvolvidas para orientar a organização do rastreamento do câncer do colo do útero no sistema de saúde brasileiro, com definição de fluxos, intervalos e critérios de encaminhamento.
Na assistência individual, inclusive na prática privada, a indicação de colposcopia pode ser diferente conforme a avaliação médica.
O profissional pode considerar, além do resultado atual, fatores como exames anteriores, persistência do HPV, alterações citológicas prévias, tratamentos realizados, achados do exame ginecológico e outros elementos relevantes da história clínica.
Por isso, uma recomendação de acompanhamento encontrada em um protocolo populacional não deve ser interpretada pela paciente como uma proibição de realizar colposcopia antes daquele intervalo quando o médico identifica razões para uma investigação individualizada.
Da mesma forma, realizar uma colposcopia antes do intervalo previsto em determinado protocolo não significa necessariamente que exista uma alteração grave. Pode simplesmente refletir uma decisão médica baseada no conjunto das informações daquela paciente.
Sim.
Quando um HPV de alto risco continua sendo detectado ao longo do acompanhamento, essa persistência passa a ter importância na avaliação.
Pelas Diretrizes Brasileiras de 2025, no caso de HPV de alto risco diferente do 16 e 18 associado inicialmente a uma citologia negativa, recomenda-se repetir o teste de HPV em 12 meses.
Se nesse controle o HPV continuar positivo para tipos diferentes do 16 e 18 e a nova citologia reflexa estiver novamente negativa, o teste é repetido em mais 12 meses.
Se o HPV de alto risco permanecer detectável aos 24 meses, a recomendação do protocolo é realizar colposcopia, independentemente do resultado da nova citologia reflexa.
Esse é o fluxo estabelecido pela diretriz para essa situação específica. Como vimos, porém, a avaliação individual pode justificar uma conduta diferente.
Durante muitos anos, o Papanicolau foi o principal exame utilizado no rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil.
Ele continua tendo papel importante, inclusive nos locais onde a transição para o rastreamento primário com teste de DNA-HPV ainda não foi implementada.
Alterações citológicas como ASC-US, LSIL, ASC-H, HSIL e AGC podem aparecer no resultado do preventivo. Entretanto, elas não representam o mesmo risco e nem todas levam necessariamente à mesma conduta.
Algumas alterações têm indicação de investigação por colposcopia. Em outras situações, a decisão depende da idade, do teste de HPV, dos exames anteriores e do contexto clínico.
Por isso, não é adequado interpretar apenas a sigla encontrada no laudo sem considerar o restante da história da paciente.
A colposcopia permite examinar o colo do útero com magnificação e iluminação adequadas, utilizando soluções que ajudam a destacar áreas que merecem uma avaliação mais cuidadosa.
O objetivo é identificar alterações, avaliar suas características, localização e extensão e decidir se existe necessidade de investigação adicional.
Quando indicado, uma pequena amostra de tecido pode ser retirada para análise — a chamada biópsia dirigida pela colposcopia.
É importante fazer essa distinção: realizar uma colposcopia não significa necessariamente realizar uma biópsia.
A biópsia é feita quando os achados do exame justificam a coleta de tecido para avaliação anatomopatológica.
Sim.
Mesmo fora do rastreamento, o ginecologista pode identificar durante o exame clínico alguma alteração no colo do útero que necessite de investigação.
Nessas situações, a colposcopia permite observar a região com maior detalhe e, quando necessário, direcionar uma biópsia.
Isso é especialmente importante quando existe uma lesão cervical visível ou algum achado que não possa ser esclarecido apenas pelo exame ginecológico habitual.
O sangramento após a relação sexual, chamado de sangramento pós-coito, pode ter diferentes causas, muitas delas benignas.
Entretanto, quando é persistente ou recorrente, merece avaliação ginecológica.
Dependendo da história clínica e dos achados do exame, o médico poderá indicar exames complementares, entre eles a colposcopia, para investigar o colo do útero.
Portanto, sangrar após uma relação sexual não significa que exista câncer, mas um sangramento recorrente deve ser investigado.
Não necessariamente.
As verrugas genitais, também chamadas de condilomas, estão relacionadas principalmente a tipos de HPV de baixo risco.
A presença de verrugas externas, isoladamente, não significa que toda mulher precise realizar uma colposcopia do colo do útero.
A necessidade do exame dependerá de outros fatores, como alterações encontradas no colo, resultados dos exames de rastreamento e avaliação médica.
Se você deseja entender melhor a infecção, veja também: infecção pelo HPV.
Não obrigatoriamente.
Mulheres que foram tratadas por lesões precursoras do colo do útero precisam de acompanhamento específico. Entretanto, isso não significa realizar colposcopia em todas as consultas.
Atualmente, os testes para HPV têm papel importante no seguimento após o tratamento, e a colposcopia pode ser indicada de acordo com os resultados encontrados durante esse acompanhamento.
O seguimento deve ser individualizado pelo médico responsável, considerando o diagnóstico que levou ao tratamento, o procedimento realizado e os resultados posteriores.
Não necessariamente.
Um Papanicolau insatisfatório significa que aquela amostra não permitiu uma avaliação adequada. A conduta dependerá do contexto em que o exame foi realizado.
Existe, porém, uma situação específica no novo protocolo brasileiro: quando o teste detecta HPV de alto risco diferente do 16 e 18 e a citologia reflexa é insatisfatória, a recomendação é realizar colposcopia.
Mais uma vez, isso mostra por que resultados de exames devem ser interpretados em conjunto.
A indicação do exame significa, antes de tudo, que existe alguma informação que precisa ser esclarecida com maior precisão.
Em algumas mulheres, a colposcopia não identifica alterações relevantes. Em outras, permite encontrar alterações que precisam apenas de acompanhamento. E, quando existe uma lesão que necessita de tratamento, a investigação permite definir a conduta adequada.
Essa é justamente uma das funções da colposcopia: ajudar a diferenciar situações que apresentam riscos diferentes.
Por isso, em vez de tentar prever o diagnóstico apenas pelo resultado do HPV ou do Papanicolau, o mais importante é discutir o resultado com seu médico e seguir a investigação indicada para o seu caso.
A resposta mais importante deste artigo é simples:
nem todo HPV positivo e nem toda alteração no Papanicolau significam que você precisa fazer colposcopia.
Existem protocolos que orientam o rastreamento da população, mas a decisão médica também pode considerar as características individuais de cada paciente.
Quando a colposcopia é indicada, realizá-la permite examinar o colo do útero com muito mais detalhes e definir com maior segurança se existe necessidade de acompanhamento, biópsia ou tratamento.
Se durante a sua rotina ginecológica o seu médico assistente identificou alterações no preventivo ou solicitou o exame de colposcopia para investigar o colo uterino, convido você a agendar o seu exame comigo trazendo o seu encaminhamento médico.
No consultório, cada detalhe visual é examinado com rigor técnico, calma e acolhimento — afinal, entender o que está acontecendo com clareza ajuda a reduzir a ansiedade e permite definir os próximos passos com segurança.
Ginecologista e Colposcopista
CRM RJ: 52.62429-2 | RQE: 51496
Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC, 2009)
Mais de 30 anos de prática médica dedicada à saúde da mulher (formada pela UFRJ em 1996) e mais de 15 anos de consultório dedicado exclusivamente à colposcopia
Consultório: Av. Rio Branco, 156 / Sala 2805 – Centro do Rio de Janeiro (ao lado do Metrô Carioca)
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