Laudo de colposcopia com foto: qual a importância da vídeo-colposcopia?

06/09/2026

Quando você realiza uma colposcopia, é natural querer saber não apenas o resultado do exame, mas também o que foi realmente observado no colo do útero, na vagina ou na vulva.

É justamente nesse ponto que o registro fotográfico pode ser muito útil.

A vídeo-colposcopia permite visualizar as estruturas examinadas com aumento e registrar digitalmente imagens dos achados observados durante o procedimento. Essas fotografias podem fazer parte do laudo e ficar arquivadas para futuras comparações.

Mas é importante fazer uma distinção: as fotos enriquecem a documentação da colposcopia, mas não substituem a qualidade do exame, a experiência do profissional, a descrição dos achados e, quando indicada, a biópsia com análise anatomopatológica.

O que é vídeo-colposcopia?

A vídeo-colposcopia é a realização da colposcopia utilizando um equipamento que permite visualizar as imagens ampliadas em um monitor e registrar fotograficamente os achados do exame.

Durante a colposcopia, o médico examina o colo do útero, a vagina e a vulva.

Após a aplicação de soluções específicas, como o ácido acético e, em determinadas situações, o iodo, algumas características do epitélio ficam mais evidentes.

O colposcopista avalia, entre outros aspectos:

  • a visualização do colo e da zona de transformação;
  • a presença ou ausência de alterações;
  • a localização e a extensão das áreas alteradas;
  • características da superfície e dos vasos;
  • a intensidade das alterações observadas;
  • e a impressão colposcópica final.

As normas internacionais de colposcopia destacam justamente a importância de uma documentação adequada e sistematizada dos achados do exame.

O laudo de colposcopia precisa ter foto?

A fotografia não é, isoladamente, o que determina se uma colposcopia foi bem realizada.

É possível produzir um excelente exame com documentação descritiva adequada mesmo sem fotografias. Da mesma forma, possuir muitas imagens não transforma automaticamente uma colposcopia em um exame de melhor qualidade.

O que considero particularmente interessante na vídeo-colposcopia é a possibilidade de unir: exame bem executado + descrição detalhada + impressão colposcópica + registro das imagens.

Quando utilizados em conjunto, esses elementos produzem um histórico muito mais completo da avaliação realizada.

A documentação digital pode ser especialmente útil quando existe necessidade de acompanhamento ao longo do tempo.

Quais são as vantagens do laudo de colposcopia com foto?

1. Documentar exatamente o que foi observado

Uma fotografia cria um registro visual da aparência do colo do útero, vagina ou vulva naquele momento.

Ela complementa informações descritas no laudo, como localização, extensão e características das áreas alteradas.

A fotografia, porém, deve ser interpretada junto com todas as demais informações do exame.

2. Facilitar a comparação com exames anteriores

Esta é, na minha prática, uma das maiores vantagens do registro fotográfico.

Quando uma paciente possui exames anteriores arquivados, posso comparar as imagens ao longo do acompanhamento e verificar se determinada área:

  • desapareceu;
  • permaneceu semelhante;
  • aumentou ou diminuiu;
  • mudou de aspecto;
  • ou necessita de nova investigação.

Sistemas digitais de documentação colposcópica podem justamente permitir o registro e a comparação entre exames sucessivos, além de serem úteis no acompanhamento após tratamento.

É importante lembrar, entretanto, que essa comparação não deve ser feita apenas pelas fotografias. Resultados anteriores de Papanicolau, teste para HPV, biópsias, tratamentos realizados e a história clínica da paciente também precisam ser considerados.

3. Registrar o local em que uma biópsia foi realizada

Quando há indicação de biópsia, o registro fotográfico pode documentar a área considerada suspeita e o local de onde o pequeno fragmento foi retirado.

Isso cria uma correlação muito interessante entre: imagem colposcópica → localização da biópsia → resultado anatomopatológico.

Mas existe aqui um ponto fundamental: a fotografia não substitui a biópsia.

Quando há indicação de confirmação histológica, é a análise do tecido pelo patologista que estabelece o diagnóstico.

A colposcopia orienta onde investigar; o anatomopatológico, quando necessário, confirma a natureza da alteração.

4. Facilitar uma segunda opinião médica

Caso a paciente precise posteriormente consultar outro profissional, um laudo completo acompanhado de boas imagens pode fornecer informações adicionais sobre o exame realizado.

Isso pode ajudar o médico que receberá aquela paciente a compreender melhor os achados anteriores.

Ainda assim, dependendo da situação clínica e da qualidade ou do tempo transcorrido desde o exame anterior, poderá ser necessária uma nova colposcopia.

5. Melhorar a comunicação com a paciente

Uma das vantagens que mais valorizo na vídeo-colposcopia é poder mostrar à própria paciente o que estou observando.

Termos como “zona de transformação”, “área acetobranca” ou “local da biópsia” podem parecer muito abstratos quando são apenas descritos.

Quando consigo mostrar a imagem e explicar de maneira simples o que estou vendo, muitas pacientes compreendem melhor por que determinado acompanhamento, biópsia ou tratamento está sendo recomendado.

Informação não substitui a decisão médica, mas ajuda a paciente a participar de forma mais consciente do próprio cuidado.

Ter uma imagem ampliada torna o diagnóstico mais preciso?

A ampliação é uma característica essencial da colposcopia porque permite observar detalhes que não seriam adequadamente avaliados a olho nu.

Mas é importante evitar uma interpretação equivocada.

A vídeo-colposcopia não é um exame microscópico.

Mesmo utilizando ampliações elevadas, continuamos realizando uma avaliação colposcópica da superfície dos tecidos.

Além disso, nenhuma câmera ou equipamento substitui a capacidade do profissional de reconhecer e interpretar os achados.

A qualidade da colposcopia depende de diversos fatores, entre eles:

  • treinamento do colposcopista;
  • experiência;
  • técnica adequada;
  • visualização da zona de transformação;
  • identificação das áreas suspeitas;
  • escolha correta dos locais para biópsia;
  • documentação dos achados;
  • e integração do exame com os resultados anteriores da paciente.

Por isso, tecnologia e experiência devem trabalhar juntas.

O registro das imagens também pode ajudar no acompanhamento após uma lesão por HPV?

Sim.

Em algumas pacientes acompanhadas por alterações relacionadas ao HPV, a possibilidade de consultar exames anteriores pode ser bastante útil.

Mas atualmente sabemos que o acompanhamento dessas pacientes não deve depender somente da aparência do colo na colposcopia.

Dependendo do diagnóstico anterior, entram nessa avaliação informações como:

  • teste para HPV de alto risco;
  • Papanicolau;
  • resultado da biópsia;
  • tratamento realizado;
  • margens da peça cirúrgica, quando aplicável;
  • idade e antecedentes da paciente;
  • e resultados dos exames de acompanhamento.

Um exemplo de acompanhamento ao longo do tempo

As imagens abaixo ilustram como o registro fotográfico pode ajudar a reconstruir a história clínica de uma paciente ao longo dos anos.

É importante lembrar que as fotografias mostram apenas uma parte dessa história. As decisões médicas dependem também dos resultados de citologia, teste para HPV, biópsia e demais informações clínicas.

FOTO 1 — Colposcopia em 2021: diagnóstico de NIC 1

Na colposcopia realizada em 2021, foi identificada uma alteração que, após biópsia, foi confirmado o diagnóstico de NIC 1, uma lesão de baixo grau.

Depois desse diagnóstico, a paciente passou a ser acompanhada em outro serviço, com exames de Papanicolau que permaneceram normais durante o seguimento.

O registro fotográfico daquele exame permaneceu como documentação visual da alteração observada naquele momento.

FOTO 2 — Colposcopia em 2026 após ASC-US e HPV 52: diagnóstico de NIC 2

Em dezembro de 2025, o Papanicolau mostrou ASC-US e o teste para HPV detectou HPV de alto risco tipo 52.

A paciente foi então novamente encaminhada para colposcopia.

No novo exame, observei uma área colposcopicamente suspeita de lesão de alto grau. A biópsia confirmou posteriormente o diagnóstico de NIC 2.

Esse caso mostra por que o acompanhamento não deve ser interpretado apenas a partir de um exame isolado. O histórico anterior, os resultados de Papanicolau e do teste para HPV, a colposcopia e, quando indicada, a biópsia precisam ser analisados em conjunto.

O que esse histórico nos ensina?

O registro fotográfico não substitui o acompanhamento adequado, mas acrescenta uma informação objetiva que pode ser consultada anos depois.

Neste caso, as imagens permitem documentar como o colo do útero se apresentava em momentos diferentes da história clínica e ajudam a contextualizar os resultados posteriores.

É justamente essa possibilidade de reunir histórico clínico, exames anteriores, testes para HPV, colposcopia, imagens e biópsia quando necessária que considero uma das maiores vantagens da documentação digital.

Então, vale a pena receber um laudo de colposcopia com fotos?

Na minha opinião, sim.

Considero o registro fotográfico uma ferramenta muito valiosa porque permite documentar melhor o exame e construir um histórico visual que poderá ser consultado posteriormente.

Mas eu não escolheria onde realizar uma colposcopia apenas porque o serviço oferece fotos.

Ao procurar um local para fazer o exame, considero mais importante saber:

  • quem realizará a colposcopia;
  • qual é a formação e a experiência desse profissional;
  • se os achados serão adequadamente descritos no laudo;
  • se uma eventual biópsia poderá ser realizada quando indicada;
  • se haverá consulta antes ou após o exame para esclarecer suas dúvidas;
  • como será feito o acompanhamento dos resultados;
  • e, adicionalmente, se existe registro fotográfico das imagens.

A tecnologia é uma excelente aliada, mas não substitui a experiência de quem interpreta aquilo que está vendo.

Como realizo a vídeo-colposcopia no meu consultório

No meu consultório, utilizo vídeo-colposcopia digital e realizo registro fotográfico dos exames.

As imagens são integradas ao laudo e os exames ficam arquivados, permitindo consultar registros anteriores quando a paciente retorna para acompanhamento.

Para mim, o maior benefício dessa tecnologia não está simplesmente em entregar uma fotografia.

Está em poder reunir, ao longo do tempo: história clínica + exames anteriores + colposcopia + imagens + biópsia quando necessária + resultados laboratoriais.

É esse conjunto de informações que torna o acompanhamento mais completo.

Precisa realizar uma colposcopia no Rio de Janeiro?

Se o seu médico indicou uma colposcopia ou colposcopia com possível biópsia e você procura realizar o exame no Rio de Janeiro, o atendimento pode ser agendado diretamente pelo WhatsApp do consultório.

Para agendar o exame comigo, é necessário apresentar o encaminhamento médico.

Você pode conhecer também minha página sobre exame de colposcopia e saber mais sobre minha formação e experiência profissional na página da Dra. Flávia Menezes.


Dra. Flávia Menezes
Ginecologista e Colposcopista
CRM RJ: 52.62429-2 | RQE: 51496
Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC, 2009)
Mais de 30 anos de prática médica dedicada à saúde da mulher

Fontes consultadas

  1. International Agency for Research on Cancer (IARC). Colposcopy and Treatment of Cervical Precancer. IARC Technical Publication nº 45. Lyon: IARC; 2017.
  2. Wentzensen N, Massad LS, Mayeaux EJ Jr, et al. ASCCP Colposcopy Standards: Risk-Based Colposcopy Practice. Journal of Lower Genital Tract Disease. 2017.
  3. Khan MJ, Werner CL, Darragh TM, et al. ASCCP Colposcopy Standards: Role of Colposcopy, Benefits, Potential Harms, and Terminology for Colposcopic Practice. Journal of Lower Genital Tract Disease. 2017.
  4. Perkins RB, Guido RS, Castle PE, et al. 2019 ASCCP Risk-Based Management Consensus Guidelines for Abnormal Cervical Cancer Screening Tests and Cancer Precursors. Journal of Lower Genital Tract Disease. 2020.
  5. Perkins RB, Fuzzell LN, Lake P, et al. 2019 ASCCP Risk-Based Management Consensus Guidelines: Updates Through 2023. Journal of Lower Genital Tract Disease. 2024.
  6. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero: Volume 1 — Rastreamento organizado com teste molecular para detecção de DNA-HPV de alto risco. 3ª ed. Rio de Janeiro: INCA; 2025.
  7. World Health Organization. WHO guideline for screening and treatment of cervical pre-cancer lesions for cervical cancer prevention. 2nd ed. Geneva: WHO; 2021.
  8. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023 — Publicidade e propaganda médicas.
Dra. Flávia Menezes - CRM: 5262429-2 / RQE:51496

Dra. Flávia Menezes
CRM: 5262429-2 / RQE:51496

Médica Ginecologista e Colposcopista.

Especialista em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (PTGI).

Mais de 20.000 exames de colposcopia realizados.

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Sobre mim

Médica formada pela UFRJ com mais de 20 mil exames de colposcopia realizados. Formada em ginecologia e especialista em HPV.

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