
Quando você realiza uma colposcopia, é natural querer saber não apenas o resultado do exame, mas também o que foi realmente observado no colo do útero, na vagina ou na vulva.
É justamente nesse ponto que o registro fotográfico pode ser muito útil.
A vídeo-colposcopia permite visualizar as estruturas examinadas com aumento e registrar digitalmente imagens dos achados observados durante o procedimento. Essas fotografias podem fazer parte do laudo e ficar arquivadas para futuras comparações.
Mas é importante fazer uma distinção: as fotos enriquecem a documentação da colposcopia, mas não substituem a qualidade do exame, a experiência do profissional, a descrição dos achados e, quando indicada, a biópsia com análise anatomopatológica.
A vídeo-colposcopia é a realização da colposcopia utilizando um equipamento que permite visualizar as imagens ampliadas em um monitor e registrar fotograficamente os achados do exame.
Durante a colposcopia, o médico examina o colo do útero, a vagina e a vulva.
Após a aplicação de soluções específicas, como o ácido acético e, em determinadas situações, o iodo, algumas características do epitélio ficam mais evidentes.
O colposcopista avalia, entre outros aspectos:
As normas internacionais de colposcopia destacam justamente a importância de uma documentação adequada e sistematizada dos achados do exame.
A fotografia não é, isoladamente, o que determina se uma colposcopia foi bem realizada.
É possível produzir um excelente exame com documentação descritiva adequada mesmo sem fotografias. Da mesma forma, possuir muitas imagens não transforma automaticamente uma colposcopia em um exame de melhor qualidade.
O que considero particularmente interessante na vídeo-colposcopia é a possibilidade de unir: exame bem executado + descrição detalhada + impressão colposcópica + registro das imagens.
Quando utilizados em conjunto, esses elementos produzem um histórico muito mais completo da avaliação realizada.
A documentação digital pode ser especialmente útil quando existe necessidade de acompanhamento ao longo do tempo.
Uma fotografia cria um registro visual da aparência do colo do útero, vagina ou vulva naquele momento.
Ela complementa informações descritas no laudo, como localização, extensão e características das áreas alteradas.
A fotografia, porém, deve ser interpretada junto com todas as demais informações do exame.
Esta é, na minha prática, uma das maiores vantagens do registro fotográfico.
Quando uma paciente possui exames anteriores arquivados, posso comparar as imagens ao longo do acompanhamento e verificar se determinada área:
Sistemas digitais de documentação colposcópica podem justamente permitir o registro e a comparação entre exames sucessivos, além de serem úteis no acompanhamento após tratamento.
É importante lembrar, entretanto, que essa comparação não deve ser feita apenas pelas fotografias. Resultados anteriores de Papanicolau, teste para HPV, biópsias, tratamentos realizados e a história clínica da paciente também precisam ser considerados.
Quando há indicação de biópsia, o registro fotográfico pode documentar a área considerada suspeita e o local de onde o pequeno fragmento foi retirado.
Isso cria uma correlação muito interessante entre: imagem colposcópica → localização da biópsia → resultado anatomopatológico.
Mas existe aqui um ponto fundamental: a fotografia não substitui a biópsia.
Quando há indicação de confirmação histológica, é a análise do tecido pelo patologista que estabelece o diagnóstico.
A colposcopia orienta onde investigar; o anatomopatológico, quando necessário, confirma a natureza da alteração.
Caso a paciente precise posteriormente consultar outro profissional, um laudo completo acompanhado de boas imagens pode fornecer informações adicionais sobre o exame realizado.
Isso pode ajudar o médico que receberá aquela paciente a compreender melhor os achados anteriores.
Ainda assim, dependendo da situação clínica e da qualidade ou do tempo transcorrido desde o exame anterior, poderá ser necessária uma nova colposcopia.
Uma das vantagens que mais valorizo na vídeo-colposcopia é poder mostrar à própria paciente o que estou observando.
Termos como “zona de transformação”, “área acetobranca” ou “local da biópsia” podem parecer muito abstratos quando são apenas descritos.
Quando consigo mostrar a imagem e explicar de maneira simples o que estou vendo, muitas pacientes compreendem melhor por que determinado acompanhamento, biópsia ou tratamento está sendo recomendado.
Informação não substitui a decisão médica, mas ajuda a paciente a participar de forma mais consciente do próprio cuidado.
A ampliação é uma característica essencial da colposcopia porque permite observar detalhes que não seriam adequadamente avaliados a olho nu.
Mas é importante evitar uma interpretação equivocada.
A vídeo-colposcopia não é um exame microscópico.
Mesmo utilizando ampliações elevadas, continuamos realizando uma avaliação colposcópica da superfície dos tecidos.
Além disso, nenhuma câmera ou equipamento substitui a capacidade do profissional de reconhecer e interpretar os achados.
A qualidade da colposcopia depende de diversos fatores, entre eles:
Por isso, tecnologia e experiência devem trabalhar juntas.
Sim.
Em algumas pacientes acompanhadas por alterações relacionadas ao HPV, a possibilidade de consultar exames anteriores pode ser bastante útil.
Mas atualmente sabemos que o acompanhamento dessas pacientes não deve depender somente da aparência do colo na colposcopia.
Dependendo do diagnóstico anterior, entram nessa avaliação informações como:
As imagens abaixo ilustram como o registro fotográfico pode ajudar a reconstruir a história clínica de uma paciente ao longo dos anos.
É importante lembrar que as fotografias mostram apenas uma parte dessa história. As decisões médicas dependem também dos resultados de citologia, teste para HPV, biópsia e demais informações clínicas.
FOTO 1 — Colposcopia em 2021: diagnóstico de NIC 1

Na colposcopia realizada em 2021, foi identificada uma alteração que, após biópsia, foi confirmado o diagnóstico de NIC 1, uma lesão de baixo grau.
Depois desse diagnóstico, a paciente passou a ser acompanhada em outro serviço, com exames de Papanicolau que permaneceram normais durante o seguimento.
O registro fotográfico daquele exame permaneceu como documentação visual da alteração observada naquele momento.
FOTO 2 — Colposcopia em 2026 após ASC-US e HPV 52: diagnóstico de NIC 2

Em dezembro de 2025, o Papanicolau mostrou ASC-US e o teste para HPV detectou HPV de alto risco tipo 52.
A paciente foi então novamente encaminhada para colposcopia.
No novo exame, observei uma área colposcopicamente suspeita de lesão de alto grau. A biópsia confirmou posteriormente o diagnóstico de NIC 2.
Esse caso mostra por que o acompanhamento não deve ser interpretado apenas a partir de um exame isolado. O histórico anterior, os resultados de Papanicolau e do teste para HPV, a colposcopia e, quando indicada, a biópsia precisam ser analisados em conjunto.
O registro fotográfico não substitui o acompanhamento adequado, mas acrescenta uma informação objetiva que pode ser consultada anos depois.
Neste caso, as imagens permitem documentar como o colo do útero se apresentava em momentos diferentes da história clínica e ajudam a contextualizar os resultados posteriores.
É justamente essa possibilidade de reunir histórico clínico, exames anteriores, testes para HPV, colposcopia, imagens e biópsia quando necessária que considero uma das maiores vantagens da documentação digital.
Na minha opinião, sim.
Considero o registro fotográfico uma ferramenta muito valiosa porque permite documentar melhor o exame e construir um histórico visual que poderá ser consultado posteriormente.
Mas eu não escolheria onde realizar uma colposcopia apenas porque o serviço oferece fotos.
Ao procurar um local para fazer o exame, considero mais importante saber:
A tecnologia é uma excelente aliada, mas não substitui a experiência de quem interpreta aquilo que está vendo.
No meu consultório, utilizo vídeo-colposcopia digital e realizo registro fotográfico dos exames.
As imagens são integradas ao laudo e os exames ficam arquivados, permitindo consultar registros anteriores quando a paciente retorna para acompanhamento.
Para mim, o maior benefício dessa tecnologia não está simplesmente em entregar uma fotografia.
Está em poder reunir, ao longo do tempo: história clínica + exames anteriores + colposcopia + imagens + biópsia quando necessária + resultados laboratoriais.
É esse conjunto de informações que torna o acompanhamento mais completo.
Se o seu médico indicou uma colposcopia ou colposcopia com possível biópsia e você procura realizar o exame no Rio de Janeiro, o atendimento pode ser agendado diretamente pelo WhatsApp do consultório.
Para agendar o exame comigo, é necessário apresentar o encaminhamento médico.
Você pode conhecer também minha página sobre exame de colposcopia e saber mais sobre minha formação e experiência profissional na página da Dra. Flávia Menezes.
Dra. Flávia Menezes
Ginecologista e Colposcopista
CRM RJ: 52.62429-2 | RQE: 51496
Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC, 2009)
Mais de 30 anos de prática médica dedicada à saúde da mulher