Você sabe muito bem, o exame preventivo deve ser feito sempre que orientado pelo seu ginecologista.

A prevenção é a melhor forma de garantir o bem estar de sua saúde sexual.

Porém, o que observo na prática em meu consultório é que os intervalos entre as consultas das pacientes tem superado o tempo razoável.

Sendo assim, me pergunto: As pacientes ainda tem alguma dúvida sobre o exame preventivo e o que as levam a ignorar a sua importância?

Com a idéia de trazer cada vez mais esclarecimentos sobre a saúde da mulher, resolvi listar as cinco principais dúvidas pertinentes ao exame preventivo.

Vamos a elas.

Para que serve o exame de Papanicolau, também chamado de exame preventivo?

Como o nome já diz, o exame de preventivo serve para prevenir o Câncer de Colo Uterino.

É sempre bom lembrar que maior causador de câncer do colo uterino é o vírus do HPV. 

O exame preventivo serve para rastrear e detectar as células alteradas pela ação do vírus HPV.

Diante de um preventivo alterado, o ginecologista irá avaliar a necessidade do encaminhamento para o exame de colposcopia.

Muitos acham que o preventivo serve para “ver” se há corrimento.

Isto não é verdade, é um grande engano.

O preventivo serve para rastrear as lesões causadas pelo HPV.

Meu preventivo sempre foi normal e agora está alterado. Posso ter HPV e meu preventivo ser normal?

Sim, você pode possuir o vírus do HPV mesmo se o seu exame preventivo estiver normal.

O exame preventivo não tem sensibilidade de 100%, portanto pode apresentar erros, e este é o principal motivo de repetirmos o exame periodicamente.

Por exemplo, caso o exame não tivesse uma grande margem de erro, poderíamos realizá-lo somente a cada 5 anos.

Um preventivo normal pode estar errado ou simplesmente não conter as células alteradas pelo o vírus naquela amostra.

Mas fique calma, pois o câncer de colo de útero é muito lento e demora anos para aparecer.

O importante é repetir seu preventivo sempre que seu médico solicitar.

O que é ASC-US?

ASC-US significa uma atipia celular de causa não determinada.

Essa alteração celular pode ser causada por uma infecção, por uma atrofia (ressecamento vaginal) ou pelo HPV.

O patologista olha a lâmina do preventivo no microscópio e detecta uma célula diferente, porém não conclusiva de uma lesão por HPV.

Ou seja, ele alerta o ginecologista que pode ter uma infecção por HPV, mas ele não tem como afirmar isso.

Desta forma, cabe ao ginecologista realizar novos exames para avaliar melhor a sua paciente.

O que é NIC 1 ou neoplasia intraepitelial cervical de baixo grau (LSIL)?

As lesões de baixo grau (NIC 1) são aquelas que apresentam grandes chances de desaparecer espontaneamente. O próprio organismo, com seu sistema de defesa, consegue eliminar o vírus e promover a cura dessas lesões na maioria das vezes.

Quando o organismo não consegue eliminar o vírus em 2 anos, falamos que se trata de uma infecção persistente pelo HPV. E na verdade é o HPV persistente que é o fator de risco para as lesões de alto grau.

O que é NIC 2, NIC 3 ou neoplasia intraepitelial cervical de alto grau (HSIL)?

As lesões de alto grau (diferente das lesões de baixo grau) dificilmente apresentarão uma cura espontânea. Exceto em situações especiais, como em jovens com menos de 25 anos. Essas lesões necessitam de tratamento, que na maioria das vezes se resume na retirada da lesão, o que geralmente é realizado com uma alça de alta frequência, vulgarmente chama de CAF (Cirurgia de Alta Frequência).