Frente a essa crise do coronavírus, são tantos os medos e as dúvidas, que as redes de comunicações não param de falar sobre o assunto.

De certa forma, isso é positivo, pois a população passa a acumular conhecimento sobre viroses. Por outro lado, é difícil de o assunto não se tornar massante e repetitivo.

Desde a semana passada, aproveitei esse momento que muito se fala sobre infecção viral e comecei a fazer algumas comparações entre os Coronavírus e os HPV’s.

Hoje irei falar sobre o rastreamento e diagnóstico das doenças causadas por esses dois vírus.

Coronavírus

O vírus que causa a COVID-19 está infectando o mundo e se espalhando facilmente de pessoa para pessoa.

Casos foram detectados na maioria dos países e a disseminação nas comunidades está sendo uma crescente em várias nações.

Em 11 de março, o surto de COVID-19 foi caracterizado como uma pandemia pelo ícone externo da OMS.

A transmissão generalizada do COVID-19 pode se traduzir em grande número de pessoas que precisam de cuidados médicos ao mesmo tempo.

Os provedores de assistência médica e os hospitais podem ficar sobrecarregados, e no momento, não há vacina para proteger contra o COVID-19 e nem medicamentos aprovados para tratá-lo.

Intervenções não farmacêuticas serão a estratégia de resposta mais importante para tentar atrasar a propagação do vírus e reduzir o impacto da doença.

Existem dois tipos de teste para o Coronavírus

Existem os testes rápidos, que são os sorológicos, que detecta, no sangue, os anticorpos que o nosso organismo produziu contra o vírus.

Esse tipo de teste pode errar algumas vezes, isso porque o teste pode ser feito no momento que o indivíduo se contaminou com o vírus, mas ainda não houve tempo suficiente para a produção dos anticorpos.

Desta forma teríamos um resultado falso negativo, isto é, a pessoa tem o vírus e um teste erradamente negativo.

Então qual a vantagem de fazer esse teste rápido?

A vantagem é que não há necessidade de laboratório para processar o resultado desse tipo de teste.

O resultado desse tipo de teste ocorre em minutos. Desta forma, é um exame mais barato e mais rápido, que pode ser usado em grande escala para rastrear as pessoas infectadas.

Ele detecta também as pessoas que já foram infectadas, produziram anticorpos contra o coronavírus e muito provavelmente não se contaminaram novamente por esse vírus.

O outro tipo de teste é o PCR, o qual detecta a presença do coronavírus nas secreções de naso e orofaringe.

É um teste de biologia molecular. É um teste que raramente pode dar um resultado falso positivo ou negativo.

Dizemos que o PCR para coronavírus é o “padrão ouro”, ou seja, ele realizado para a confirmação da doença.

O ideal seria fazer a "testagem em massa" da população.

Se o teste pudesse ser realizado em todos os indivíduos da sociedade, seria possível saber o número real de casos existentes, rastrear a contaminação e propor uma quarentena.

Mas o ideal fica muito longe da nossa realidade.

Faça seus exames Regularmente

Testes para HPV

Agora vamos fazer uma comparação com o vírus do HPV.

O vírus do HPV infecta, infectou ou infectará quase 80% da população.

Estudos mostram que 80% das mulheres no mundo entram em contato com algum tipo de HPV em algum momento de suas vidas.

A Organização Mundial de Saúde estima que 630 milhões de pessoas apresentem infecção genital pelo HPV, resultando em uma prevalência mundial de 9 – 13%.

Acredita-se que 6 milhões de pessoas sejam infectadas a cada ano. O risco de adquirir a infecção ao longo da vida é de 50% e ocorre geralmente entre 2 e 10 anos após o início da atividade sexual.

O HPV, diferente do Coronavírus, é um vírus muito lento

Os HPV’s de alto risco estão fortemente relacionados ao desenvolvimento do câncer de colo do útero.

Porém diferente do coronavírus, o HPV promove alterações celulares lentamente.

Desde a infecção pelo vírus do HPV até o desenvolvimento do câncer, pode se passar mais de 10 anos.

Desta forma percebemos que o HPV é um vírus muito prevalente na sociedade. Pode causar o câncer, de forma muito lenta.

Se as lesões no colo do útero causadas pelo HPV, forem diagnosticadas precocemente, elas são facilmente curadas. Por isso é tão importante o rastreamento de toda a população feminina.

Eu tenho que ter medo do vírus?

Não, eu não tenho que ter medo do HPV. Eu tenho que procurar as lesões causadas por esse vírus.

Como procurar essas lesões causadas pelo HPV?

Na verdade, você já faz isso há muitos anos ao realizar o exame de Papanicolau, que é exame de prevenção do câncer de colo do útero.

Como o nome já diz, o exame de preventivo serve para prevenir o Câncer de Colo Uterino.

É sempre bom lembrar que o maior causador de câncer do colo uterino é o vírus do HPV. O exame preventivo serve para rastrear e detectar as células alteradas pela ação do vírus HPV.

Diante de um preventivo alterado, o ginecologista irá avaliar a necessidade do encaminhamento para o exame de colposcopia. E o exame de colposcopia irá então avaliar a gravidade destas alterações celulares descobertas no preventivo.

Porém o exame de preventivo normal, pode ser apenas um falso negativo. Ou seja, a paciente tem alterações celulares causadas pelo HPV, porém o exame de preventivo não detecta.

Sabendo que o exame preventivo apresenta uma margem de erro, os ginecologistas recomendam que ele seja realizado periodicamente.

O raciocínio é que se o resultado normal do seu exame preventivo seja um “falso normal”, ou seja, se ele estiver errado, repetimos esse exame no próximo ano, pois é pouco provável que o mesmo erro de repita.

Para diminuir essa margem de erro do preventivo, há alguns poucos anos, os convênios passaram a autorizar testes de biologia molecular para a pesquisa do HPV. Da mesma forma que estão fazendo com o coronavírus.

NÃO EXITE TESTE NO SANGUE PARA HPV

Teste para HPV na secreção do colo do útero

Existem dois tipos de testes de biologia molecular utilizados rotineiramente para a pesquisa do HPV:

CAPTURA HÍBRIDA OU PCR PARA HPV DE ALTO RISCO COM GENOTIPAGEM?

O teste captura híbrida para HPV, irá somente determinar se a paciente está infectada por um HPV de alto e/ou baixo grau.

A captura híbrida não faz a genotipagem, ou seja, ela não determina o tipo de HPV que está infectando aquela paciente.

O outro teste é o PCR para HPV de alto risco com genotipagem.

O exame de PCR tem quase o mesmo custo do teste de captura híbrida, porém irá nos fornecer um resultado mais valioso.

O teste de PCR para HPV de alto risco determina se aquela paciente está infectada pelo HPV 16 e/ou 18, ou se a paciente apresenta um tipo de HPV diferente dos tipos 16 e/ou 18 (HPV TIPO NÃO 16 e/ou 18).

E qual a importância disso?

Os subtipos de HPV 16 e 18 são os responsáveis por aproximadamente 70% dos cânceres do colo do útero. Assim, diante de um resultado detectando HPV 16 e/ou 18, o ginecologista deve encaminhar sua paciente para a realização do exame de colposcopia, mesmo que ela tenha um exame de Papanicolau com resultado normal.

Para você entender um pouco melhor, lembre que o preventivo tem uma margem de erro considerável quando seu resultado está normal.

Para diminuir essa margem de erro, solicitamos o PCR para HPV de alto risco. Assim, mesmo diante de um preventivo normal e um PCR detectando HPV 16 e/ou 18, o exame de colposcopia deve ser realizado imediatamente.

As lesões causadas pelo HPV têm cura!

Não tenha medo de realizar seu exame de colposcopia, ele pode detectar lesões de fácil tratamento e evitar o câncer de colo do útero.