Recebi mensagens de algumas mulheres bissexuais, lésbicas ou que simplesmente fazem sexo com outras mulheres. Elas relatam suas dificuldades em encontrar um profissional especializado em HPV, e para piorar, estas não se sentem a vontade em relatar este fato a um profissional de saúde, pois me disseram que a maioria destes não tem experiência em tratar essa parcela da sociedade. Elas se sentem totalmente desamparadas.

É triste confirmar que ainda exista preconceito, principalmente entre os profissionais de saúde.

Nesse post tentarei responder algumas perguntas dessas mulheres.

Como as mulheres que fazem sexo com mulheres podem se prevenir contra o HPV?

As mulheres que fazem sexo com mulheres não costumam se prevenir em relações sexuais.

Por motivos óbvios, as mulheres não usam camisinha nas relações sexuais. E não esperem de mim, orientarem vocês a usarem papel filme durante o sexo oral.

Mas a inexistência de uma proteção de barreira pode trazer muita ansiedade e medo em ter relações com outra mulher.

Realmente o HPV é um organismo altamente infectante. É possível infectar-se com uma única exposição. O simples contato com a pele ou mucosa infectados é suficiente para se contaminar com o vírus.

Mulheres que fazem sexo com mulheres também apresentam o risco de adquirir HPV. Seja através do contato de mucosa da vulva com outra vulva, do contato com mão contaminada, através do sexo oral ou através do compartilhamento de brinquedos sexuais.

É muito difícil, mesmo para um casal heterossexual se prevenir de uma infecção por esse vírus, pois a camisinha promove uma proteção apenas parcial contra HPV.

A camisinha não é 100% eficaz na prevenção contra HPV.

A melhor forma de prevenção contra HPV é através da vacinação, preferencialmente antes do início da atividade sexual.

Todo homem e toda mulher até os 26 anos de idade devem ser vacinados.

Após essa idade, devemos avaliar o risco de cada pessoa quanto a possibilidade de uma nova infecção por HPV.

O HPV é transmitido apenas quando as verrugas estão aparentes?

Sabe-se que a verruga genital é altamente contagiosa.

Evite o contato direto com as lesões de condiloma (verrugas).

Evite compartilhamento de brinquedos eróticos, o ideal é que cada uma tenha o seu. Esses brinquedos não devem ser compartilhados.

O risco de transmissão através do contato de uma mão contaminada com a área genital é baixo, mas existe!

O risco de transmissão orogenital também é baixo.

As lesões subclínicas, aquelas que são detectadas apenas pelo exame de Papanicolau e pela colposcopia, têm menor poder de transmissão, e o risco exato de transmissão ainda necessita de mais estudos.

O HPV pode ser transmitido por fluídos corporais?

Não. A transmissão do HPV se dá através do contato direto com a pele ou mucosa infectados.

Para ocorrer a transmissão é necessário que ocorra o contato direto com uma pele ou mucosa infectados por HPV.

Já tratei as verrugas (condilomas). Ainda posso transmitir HPV para minha parceira?

Na ausência de lesões verrucosas, o risco de transmissão do HPV é bem menor. Mas como falei anteriormente, o risco de transmissão na ausência de lesões visíveis a olho nu ainda é assunto que necessita de mais estudo por parte da ciência.

Não me canso de repetir: NÃO TENHAM MEDO DO VÍRUS HPV.

Oito em cada 10 mulheres apresentam infecção por HPV. O que não pode ocorrer é deixar de fazer o diagnóstico das lesões causadas por esse vírus, pois se essas lesões não apresentarem a cura espontânea, elas deverão ser tratadas para evitar o câncer de colo do útero.

O que posso deixar de conselho para vocês é o seguinte: Sigam suas vidas, sejam felizes, transem muito, mas não esqueçam de fazer seus exames para prevenção do câncer de colo do útero.

Essa prevenção se faz através dos Exames de Papanicolau e, se possível através da realização de testes para detecção da presença o vírus no colo do útero, pelos exames de captura híbrida ou PCR com genotipagem.

Em resumo, mulheres que fazem sexo com mulheres devem realizar seu exame de Papanicolau da mesma forma que mulheres que fazem sexo com homens.