O objetivo deste espaço é esclarecer de forma simples os assuntos relacionados ao diagnóstico e tratamento do HPV.

Tenho observado ao longo do tempo que alguns termos utilizados no diagnóstico e tratamento do HPV ainda geram muitas dúvidas para as pacientes.

Sendo assim, vou abordar um teste bastante simples e tradicional realizado por profissionais da colposcopia. O Teste de Schiller.

De forma resumida, o teste consiste na aplicação de uma solução iodada à 1%, formada por 2g de iodo e 4g de iodeto de potássio, diluídos em 200ml de água destilada, chamada de Lugol, no colo do útero.

Quando o colo do útero está normal, sem nenhuma doença, ele absorve essa solução e fica com uma coloração marrom escura. A solução de Lugol vai colorir o colo do útero maduro e normal, mas não cora as áreas alteradas.

Assim, de forma geral, um colo de útero completamente corado de marrom escuro pelo Lugol, é um colo saudável.

O teste de Schiller pode ser realizado durante um exame ginecológico de rotina. Porém, esse exame é realizado a olho nu, ou seja, sem o auxílio de uma lente de aumento, isto é, sem o colposcópio.

Durante um exame ginecológico de rotina, sem um colposcópio, este teste pode auxiliar o médico a encontrar áreas com lesões suspeitas no colo do útero. Mas é importante saber que muitas áreas que não coram de iodo não estão doentes. Desta forma, o teste de Schiller sem o auxílio de uma lente de aumento pode assustar muitas pacientes, mas no final não ser nada relevante.

O que quero dizer, em resumo, é que o Teste de Schiller realizado a olho nu pode te dar resultados errados, falso positivo ou até mesmo um falso negativo, porém, pode sim, ser realizado durante um exame ginecológico de rotina.

Na atualidade, o teste de Schiller passou a ser utilizado de forma rotineira como uma etapa do exame de colposcopia. Quando realizado durante o exame de colposcopia tem um valor maior, sendo mais assertivo.

O que é um teste de Schiller positivo

De forma simplória, podemos dizer que um colo de útero corado completamente pelo iodo é um colo normal, saudável e sem doença. Neste caso o resultado do Teste de Schiller é NEGATIVO.

Quando o colo apresenta áreas não coradas pelo iodo, ou seja, áreas com suspeita de doença, afirmamos que o Teste de Schiller é POSITIVO.

Resumindo: Um Teste de Schiller NEGATIVO, é um colo iodo positivo, SEM DOENÇA.

Observe as imagens abaixo:

Colo de útero antes da aplicação do lugol
Colo de útero saudável, antes da aplicação do lugol
Colo de útero corado completamente com lugol
Teste de Schiller Negativo. Colo de útero normal, corado completamente pelo lugol

Teste de Schiller POSITIVO é um colo com áreas iodo negativo, onde EXISTE SUSPEITA DE DOENÇA

Colo de útero apresentando uma NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical)
Colo de útero apresentando uma NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical)
Teste de Schiller POSITIVO, mostrando área doente e não corada pelo lugol
Teste de Schiller POSITIVO, mostrando área doente e não corada pelo lugol

Teste de Schiller e Colposcopia

O exame de colposcopia consiste em observar o colo do útero com uma grande lente de aumento dotada de uma iluminação adequada, que nada mais é do que o aparelho de colposcopia.

Através deste aparelho, o profissional especializado irá observar o colo do útero de forma mais minuciosa. Durante essa observação, o colposcopista utiliza duas substâncias, o ácido acético e o Lugol.

O teste de Schiller faz parte da segunda etapa do exame de colposcopia.

Após a aplicação do Lugol é possível se observar áreas anormais não coradas.

Se o ginecologista estiver realizando esse teste a olho nu, sem auxílio de um colposcópio, ele poderá solicitar o exame de colposcopia para melhor avaliação dessas áreas não coradas pelo iodo, denominadas áreas iodo negativas ou áreas com teste de Schiller positivo.

Mas nem toda área iodo negativa é uma área realmente anormal.

O teste de Schiller tem uma especificidade baixa, ou seja, é muito comum existir áreas não coradas pelo iodo no colo do útero, que não são necessariamente doenças. Podem ser áreas com pequenas alterações sem qualquer relação com doença do colo.

Pelo fato de muitos testes de Schiller apresentarem altas taxas de exames erradamente positivo e negativo, os ginecologistas passaram a usar cada vez menos esse teste nos seus exames ginecológicos de rotina.